Assembléia de Deus de Bom Jesus de Goiás

Assembléia de Deus de Bom Jesus de Goiás

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Maturidade, exigência para líderes cristãos


LIÇÃO 2 – 13 de julho de 2014

Maturidade, exigência para líderes cristãos
escola dominical


TEXTO AUREO

“Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja”.lTm 3.1

VERDADE APLICADA

A maturidade e a experiência com Deus são imprescindíveis no ato de liderar.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 Deixar claro que tipo de líderes a igreja precisa;
 Demonstrar o perfil essencial dos líderes;
 Apontar três principais aptidões de um líder na igreja.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

1Tm 3.2 - Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;
1Tm 3.3 - não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;
1Tm 3.4 - que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
1Tm 3.5 - (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?);
lTm 3.6 - não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.
lTm 3.7 - Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta

Introdução
Liderança é uma necessidade para a vida de qualquer grupo ou organização. Tanto as organizações eclesiásticas quanto as seculares clamam por líderes devotos. Não há nenhuma instituição mais poderosa que a Igreja de Cristo na terra (Mt 16.18b ...e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.). Ela conta com os maiores recursos existentes, sejam eles materiais ou espirituais. Mesmo assim, carece de liderança espiritual autêntica que faça a diferença no mundo. Vejamos que tipos de líderes ela precisa.

OBJETIVO
 Deixar claro que tipo de líderes a igreja precisa;

1. Pessoas que tenham aspiração
Aspiração é o desejo profundo de atingir uma meta, um sonho, um desígnio. Nenhum sonho de se alcançar uma liderança no campo espiritual e eclesiástico deve ser desestimulado (lTm 3.1 Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.), ao contrário, deve ser visto com cuidado e apontada as duas vertentes: das carências e das exigências, como fez Paulo. Vejamos então algumas:

1.1. Aspiração priorizada
O aspirante a liderança religiosa como qualquer outra, pode ter boas ou más motivações. Há aqueles que desejam liderança por vaidade pessoal, como mero desejo de sucesso e reconhecimento (Fp 1.15 Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente;). Outros gostariam de ostentar um título com suas credenciais, salário, etc. Esse desejo é impuro e como tal precisa ser purificado pelo sangue de Jesus, e pelo fogo da Palavra de Deus. Jesus ensinou o que deve motivar a liderança no Reino de Deus: O desejo sincero de ser servo, e de compartilhar a própria vida (Jo 15.13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.). Quando alguém se destaca com tais qualidades podemos deduzir que tal pessoa possui uma autêntica chamada ministerial, para a liderança.
A Igreja precisa de edificadores de almas. Liderar é mentorear; edificar pessoas, e não prédios. O próprio Jesus não deixou nenhuma edificação, como herança, mas discípulos para darem continuidade à Sua missão. Então, o mais importante é encontrar a pessoa que vai substituí-lo e treiná-la. Se tudo o que o líder fez desaparecer quando ele morrer, então a liderança dele foi um fracasso.

1.2. Aspiração resignada
Se alguém deseja servir a Deus como bispo ou pastor, excelente obra almeja (lTm 3.1 Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.). Vemos que o desejo de servir como líder é historicamente incentivado na igreja local. E claro o apreço no N.T. por parte daqueles que têm tal aspiração, todavia, devemos lembrar que, na época em que Paulo escreveu a primeira carta a Timóteo, já havia indícios de uma perseguição generalizada à igreja. Candidatar-se à liderança ministerial era um sério risco pessoal e para a própria família (ICo 7.26-27 Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim. Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher.,32 E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor;). Isso nos deixa claro que, diferente de hoje, na época, desejar ser líder não traria recompensas materiais, nem tampouco projeção, visto que a igreja cristã no mundo pagão era hostilizada e perseguida (At 8.1 E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e da Samaria, exceto os apóstolos.).

1.3. Aspiração inquebrantável
Esse tipo de aspiração traz consigo um desejo ministerial capaz de suportar todo tipo de provação possível. Quem almeja se tornar ministro de Cristo e liderar na obra de Deus, deve suportar os desapontamentos, as frustrações, e os desencantos da chamada (2Tm 3.12 E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.). “Não entre no ministério se puder passar sem ele” foi uma citação de Spurgeon, para depois dizer: “Se alguém neste recinto puder ficar satisfeito sendo redator de jornal, fazendeiro, médico, advogado, senador ou rei, em nome do céu e da terra, siga o seu caminho”. Por outro lado, servir como líder no Reino de Deus, implica em sofrer tribulações (2 Tm 3.11perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou.).
Todo aquele que se candidata a líder será observado e provado até finalmente ser aprovado. O preço, na verdade, é bastante elevado para o encargo na liderança eclesiástica. Liderança espiritual tem o preço de resignação em muitos sentidos. O salário não é o que se imagina. Lidar com o ser humano exige paciência, sensibilidade e fé no chamado que se recebe. Assim, somente alguém bem consciente de seu chamado suportará as provações peculiares ao encargo.

OBJETIVO
 Demonstrar o perfil essencial dos líderes;

2. Líderes que tenham caráter
Falaremos agora do significado da liderança espiritual. Uma liderança espiritual é servidora tanto ao Reino de Deus como aos homens, segundo os dons concedidos por Ele (Rm 12.6-8 De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.). Todavia essa liderança com esses dons são governados pelo Espírito Santo, visando glorificar a Cristo. Aquele que se submeter ao Espírito será impregnado pelo caráter de Jesus Cristo, chamado de fruto do Espírito, o que veremos a seguir.

2.1. O caráter exigido
Se os homens na terra procuram para serem seus diretores, funcionários com caráter digno de confiança, o que se dirá de Cristo para sua igreja na terra? Com certeza, ele procura homens de caráter sublime, íntegros e que possam inspirar a outros o seguir (2 Tm 2.2 E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.). Os encargos de liderança estão aí à disposição daqueles que provarem que são dignos dele. Se alguém analisar as exigências paulinas (lTm 3.1-14) e, ainda assim, continuar desejando engajar-se no ministério cristão, deverá enquadrar-se nelas. Liderança cristã vai além de estar bem informado, ter formação superior, ser bem relacionado na igreja onde serve, etc. Líder cristão além de possuir essas qualidades deve ser alguém de caráter ilibado e dirigido pelo Espírito, como a Bíblia recomenda (At 6.3Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.).

2.2. Caráter amadurecido
Um neófito não deve servir como líder. Neófito quer dizer recentemente plantado. Logo, está implícito que um novo convertido ainda não teve tempo suficiente para provar o seu caráter e exercitar os seus dons devidamente. Ainda que um novo cristão pareça ter tais qualificações, é precoce e precipitado chegar a essa conclusão. Facilmente um neófito se envaidecerá e, diante de seu narcisismo, sucumbirá e, ainda, no seu orgulho, tornar-se-á estúpido e confuso. A isso Paulo chama de incorrer na condenação do diabo, (lTm 3.6 não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.). Quem pensar que o diabo não passa de doutrina, logo perceberá, na prática, o seu engano ante a realidade das provações e tentações.

2.3. Caráter atestado
Toda liderança cristã deve trabalhar com cuidado e não impor as mãos precipitadamente sobre ninguém (lTm 5.22 A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.). Não obstante, alguns líderes no afã de crescimento e sob a pressão de alcançar sucesso imediato, impõem as mãos para sua própria decepção e dão legalidade no mundo espiritual para que os tais perturbem a paz do Reino. É comum esses tais novatos se envolverem em escândalos, abandonando seus precursores, vindo a desejar formar um ministério próprio. Tudo isso sem possuir qualquer experiência. Leva tempo para um caráter assertivo ser reconhecido (Gl 1.18 Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias.;2.1 Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito.). Nesse aspecto da chamada ministerial os candidatos deverão ser pacientes, e até o momento do reconhecimento público, permanecer na vocação que foram chamados.
É triste, mas, em nossos dias, estamos vendo um número incontável de pessoas despreparadas e de dúbio caráter. É muito sério eleger alguém como um líder; está comprovado que o candidato ao ministério ainda precisa passar pelo fogo depurador da experiência com Deus. Um chamado não acontece da noite para o dia. Moisés passou longos anos, e, mesmo sabendo que era o escolhido para a função, quase se perde por sair antes do tempo. Quando Deus o chamou ele já tinha oitenta anos, todavia, tudo foi mais fácil, porque Deus estava com ele, e era chegado seu tempo de agir.

OBJETIVO
 Apontar três principais aptidões de um líder na igreja.

3. Líderes que tenham aptidões
Algumas aptidões são fundamentais para o exercício da liderança cristã (At 6.3Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.). Embora elas sejam também exigidas no campo secular para determinados tipos de liderança, são de igual forma exigidas na igreja. Tais aptidões poderão ser desenvolvidas, exercitadas e amadurecidas ao longo de toda uma vida. Vejamos as principais:

3.1. Aptidão para liderar
Parece imprópria e repetitiva esta exigência, mas a verdade é que nem todos desejam e talvez possuam aptidão para algum tipo de liderança. Por exemplo: algumas pessoas foram chamadas para servir apenas como diáconos (ITm 3.13Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.). Elevar sua função poderá influir tanto em sua vocação, que em vez de destacar-se, irá se anular completamente. Será que alguém sabe que destino tomou Matias, o que havia sido escolhido para ocupar o lugar Judas? (At 1.26 E, lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E, por voto comum, foi contado com os onze apóstolos.). Devemos ter cuidado, porque nem sempre a vontade dos homens é a escolha de Deus. Até apóstolos erram! Isso é um sinal para que pensemos melhor antes de impor as mãos sobre alguém.
Aqueles que têm o dom de liderar devem fazê-lo com diligência (Rm 12.8). O contrário de diligência é desleixo e quanto a isso Jeremias escreveu: “maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente” (Jr 48.10). Liderar com diligência é o empenho dedicado em atingir metas, é a dedicação solícita em relação aos liderados, própria de um pastor em relação ás suas ovelhas.

3.2. Capacidade para ensinar e doutrinar
Junto à aptidão de liderar é importante que um líder seja apto a ensinar (ITm 3.2capto para ensinar;). Como tal, dependendo do tipo de liderança que exerce e as necessidades apresentadas, deverá ensinar em muitas áreas diferentes da igreja. Por exemplo, ao abrir uma nova frente de trabalho, esse líder precisará ensinar a novos convertidos e a crianças acerca da fé. Numa igreja já estabelecida também, desempenhará muitos papéis no ensino, como também num culto doutrinário, escola dominical, curso para obreiros, seminário, etc. Não existe evangelho genuíno sem ensino bíblico (Mt 28.20a ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;), e quanto a este se deve convergir todas as energias por causa dos falsos ensinos e ensinadores que a Bíblia nos adverte (ITm 4.1-2 Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência,).

3.3. Habilidade para disciplinar
Intimamente ligado ao ensino, está o ato de disciplinar. Na verdade, disciplinar é uma forma de ensinar, mas também de colocar ordem (Tt 1.5 Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei:) Contudo, o ato de disciplinar quando se faz necessário é uma forma de amar, ainda que quem esteja sob a vara da disciplina não goste (Hb l2.10-11 Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.). Em toda e qualquer organização a disciplina é imprescindível (lTs 5.14 Rogamo-vos também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos.). Mas disciplina deve ser sempre motivada pela verdade, misericórdia e autovigilância (Gl 6.1 Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.). Observe que Paulo escreve a Timóteo no tocante ao assunto nos seguintes termos: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” (ITm 5.1-2).
A verdadeira disciplina não é nem desagradável nem cruel. É uma questão de amor - amor a Deus, amor à santidade, amor à verdade, amor ao testemunho de Cristo na igreja, amor aos irmãos, e amor aos não salvos que estão observando o testemunho da Igreja e que podem tropeçar e serem ofendidos e, portanto, não serem salvos se o pecado não for disciplinado. “Enquanto as igrejas falharem em preservar uma membresia pura, e se recusarem a purificar os pequenos pedaços de fermentos óbvios, haverá pouca esperança para qualquer melhoria na condição das igrejas, e boas razões para esperar que as igrejas se movam no sentido oposto”.

Conclusão
A autêntica liderança espiritual é a que fará diferença onde for desenvolvida. Para que isso aconteça, é necessário respeitar o desejo daqueles que aspiram ao ministério, orientando e encaminhando-lhes ao treinamento. A preparação, nesse sentido, deve acontecer, até que, finalmente, cheguem ao pleno exercício da função. Na verdade, muitos são ocultamente por Deus.

QUESTIONÁRIO

1. De acordo com Fp 1.15 qual é a forma incorreta de se desejar a liderança?
R. Por vaidade pessoal, como mero desejo de sucesso e reconhecimento.
2. Como se define a Aspiração inabalável?
R. Um desejo ministerial capaz de suportar todo tipo de provação.
3. Que tipo de risco corre quem ousa a candidatar-se a liderança?
R. Um sério risco pessoal e para a própria família, (ICo7.26-27,32).
4. De acordo com 2Tm 2.2qual é o perfil do homem confiável para liderança?
R. Homens de caráter sublime, íntegro e que possa inspirar a outros o seguir.
5. O quê está Intimamente ligado ao ensino?
R. O ato de disciplinar.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Editora Betel 3º Trimestre de 2014, ano 24 nº 92 – Jovens e Adultos - “Dominical” Professor –LIDERANÇA CRISTÃ Conhecendo os segredos da liderança eficaz.
Pastor Dr. Abner de Cássio Ferreira


terça-feira, 24 de junho de 2014

O prazer de experimentar a cura das feridas da alma




LIÇÃO 13 – 29 de junho de 2014
O prazer de experimentar a cura das feridas da alma

TEXTO AUREO

“Senhor, tu me sondaste e me conheces. Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.” SI 139.1-2

VERDADE APLICADA

As enfermidades da alma podem ser devastadoras. Mas não incuráveis. Jesus é a cura!

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 Mostrar que o fato de sermos servos fiéis não impede que possamos sofrer com as enfermidades da alma;
 Esclarecer que tais enfermidades não são suficientes para abalar nossa fé em Deus;
 Fazer-nos entender que em algumas situações precisamos de ajuda profissional.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

SI 139.11 - Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então, a noite será luz à roda de mim.
SI 139.12 - Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.
SI 139.14 - Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
SI 139.23 - Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos.
SI 139.24 - E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.

Introdução
Chegamos à última lição de nossa revista. Estivemos falando acerca de diversas enfermidades que incomodam o homem e, em muitas situações, que o impedem de realizar a vontade de Deus. No entanto, ao nos depararmos com o Salmo 139, começamos a entender muito da verdadeira alma humana. O sentimento do salmista aqui expressado nos mostra o seu desejo de servir e fazer a vontade de Deus, mas, com uma certeza, no coração, há de estar totalmente curado de todos os males que afligem seu interior.

OBJETIVO
 Mostrar que o fato de sermos servos fiéis não impede que possamos sofrer com as enfermidades da alma;

1. Reflexos das experiências em nossas vidas
Muitas vezes nos pegamos imaginando como seria a nossa vida se fossem realizados nela todos os tipos de milagres. É fato que, servindo ao Todo Poderoso, o homem está sujeito à ação dEle em sua vida, e essa ação inclui a realização de milagres, contudo sabemos que, ao longo da nossa existência, acumulamos uma série de experiências que são capazes de causar danos irreversíveis em nossa alma, atingindo diretamente a mente e refletido em nossas emoções.

Em sua exposição, o salmista não esconde a consciência de que Jeová é capaz de conhecer o seu interior, mesmo que não seja revelado verbalmente (SI 139.4 Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó SENHOR, tudo conheces.). Servimos a um Deus que tudo sabe e tudo conhece, no entanto fica claro para nós que um de seus desejos principais em relação ao homem é justamente vê-lo expressar os seus sentimentos para que possa intervir de maneira eficaz (SI 38.9 Senhor, diante de ti está todo o meu desejo, e o meu gemido não te é oculto.). Já no Éden o Criador procurava Adão na viração do dia para conversar e, mesmo sabendo do desatino cometido por sua criatura, não tomou nenhuma atitude até que este expusesse o seu feito (Gn 3.8 E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.).

1.2. A gravidade do sentimento de culpa
As enfermidades da alma, em sua maioria, tendem a agir de forma a nos afastar da presença de Deus, pois elas levam o indivíduo a um caminho obscuro e desconhecido capaz de promover dores profundas em seus sentimentos. Davi foi um homem que viveu e sobreviveu a muitas batalhas, tais batalhas se deram tanto na esfera material quanto na espiritual, elas, com certeza, provocaram cicatrizes profundas. Entretanto vemos Davi sempre disposto a permitir-se realizar verdadeiras catarses diante de seu Criador onde não se furta de exprimir seus mais profundos sentimentos. Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? (SI 139.7 Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face?) nestas palavras, vemos que o salmista reconhece a sua incapacidade de lidar com seus medos e pavores e sabe que, nem mesmo em profunda depressão, estará fora do alcance dos olhos de Deus.

1.3. A gravidade do sentimento de culpa
A angústia vivida por Davi em alguns momentos de sua vida se apresentava como se fosse constante, todavia ele tinha certeza da companhia de Jeová (SI 139.8-10 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.). Sabemos que o sentimento de culpa era o principal mal que assolava a sua existência; o medo da reprovação o levava a um choro secreto, só revelado ao Senhor em situações de extrema tristeza. Ao mesmo tempo em que Davi externava o seu temor a Deus, ele expressava a certeza da Sua misericórdia para com ele (SI 139.14 Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.) e O louvava do mais profundo do seu íntimo, pois entendia a repreensão como expressão do amor do Pai. Pv 3.12.

OBJETIVO
 Esclarecer que tais enfermidades não são suficientes para abalar nossa fé em Deus;

2. Maldição hereditária ou reprodução de neurose
Atualmente vemos alguns grupos religiosos “ditos evangélicos” difundindo uma doutrina voltada para o que eles chamam de “maldição hereditária”, em suas teorias, buscam afirmar que algo passado ou sofrido por um antepassado pode se manter como castigo ou maldição na vida do servo de Deus, tais doutrinas contradizem peremptoriamente a Palavra de Deus que afirma o contrário. O texto do livro do profeta Ezequiel 18.20 nos mostra que o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho, deixando claro este ato de justiça do Criador. Entretanto podemos tentar esclarecer algumas situações que ocorrem no âmbito da alma que chamaremos aqui de reprodução de neurose.
Os defensores da teoria da maldição hereditária tentam apresentar experiências negativas, tanto na esfera espiritual quanto na natural, corno sendo herança. No entanto sabemos que grande parte de males sofridos por nossos descendentes são ocasionados por atitudes erradas que tomamos na criação de nossos filhos. Daniel Goleman, em seu livro Inteligência Emocional, diz que “alguns pais ignoram qualquer tipo de sentimento de seus filhos considerando sua perturbação emocional como algo banal; na verdade, deveriam aproveitar estes momentos para uma maior aproximação”, evitariam, assim, muitos problemas no futuro.

2.1. Como funciona a reprodução de neurose
Para explicar o termo reprodução de neurose, vamos explorar algumas situações vividas por Davi. Em sua vida familiar, podemos perceber que não era o preferido de seu pai, visto que o mesmo sempre o procurava usar para serviços menores, pouco valorizados pela sociedade da época. Levar comida para seus irmãos (ISm 17.17 E disse Jessé a Davi, seu filho: Toma, peço-te, para teus irmãos um efa deste grão tostado e estes dez pães e corre a levá-los ao arraial, a teus irmãos.) era algo comum na vida dele e sempre que o fazia, voltava rapidamente para cuidar das ovelhas em Belém (ISm 17.15 Davi, porém, ia e voltava de Saul, para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.). Tais acontecimentos ficaram registrados em sua mente e foram determinantes no processo de formação da sua personalidade, visto que, na criação de seus filhos, também deixou claro as suas preferências reproduzindo o que havia ocorrido com ele.

2.2. Como se reproduz a neurose
Mesmo já tendo sido ungido por Samuel, em um episódio de impressionante desprezo, demonstrado por Jessé, que deixou claro a sua preferência por Eliabe, Abinadabe, Sama e os outros (ISm 16.8-10 Então, chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este tem escolhido o SENHOR. Então, Jessé fez passar a Samá, porém disse: Tampouco a este tem escolhido o SENHOR. Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não tem escolhido estes.), Davi continuava a obedecer e fazer o que lhe era imposto. Os sentimentos de Davi certamente eram afetados por esse tipo de comportamento demonstrado por seu pai. Embora não se tenha rebelado contra sua família, não deu a seus irmãos nenhuma posição de destaque em seu exército, essa atitude aliada ao fato de demonstrar preferência por alguns de seus filhos comprovam a reprodução de neurose herdada de seu pai.
O dia de um pastor de ovelhas era de muitos riscos, os quais fizeram de Davi um homem preparado para enfrentar inimigos perigosos ao longo de sua vida. Em suas batalhas, usou conhecimentos adquiridos em sua lida diária como o uso da funda contra Golias. Em outras situações, também demonstrou ser um homem de sentimento duro. Essa forma de expressar seus sentimentos pode ter ocorrido por causa da maneira dura que foi tratado por seu pai.

2.3. O mal causado pela falta de diálogo com os filhos
A história do reinado de Davi foi marcada por algumas grandes tragédias, uma delas, talvez a mais importante, foi a rebelião de seu filho Absalão que não suportou o fato de seu pai não ter tomado nenhuma atitude em relação a seu irmão Amnon quando do estupro de sua irmã Tamar. A falta de um diálogo claro entre pai e filho pode sempre causar maus entendidos, pois vemos, com o desdobrar dos acontecimentos, que, ao contrário do que Absalão pensava, o seu pai o amava intensamente (2Sm 18.32-33 Então, disse o rei ao cuxita: Vai bem com o jovem, com Absalão? E disse o cuxita: Sejam como aquele jovem os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantaram contra ti para mal. Então, o rei se perturbou, e subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e, andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho! E disseram a Joabe: Eis que o rei anda chorando e lastima-se por Absalão.). Vemos, mais uma vez, um exemplo de reprodução de neurose, Jessé não se colocava claramente em relação a Davi isso fez com que ele tivesse a mesma dificuldade em relação a seu filho Absalão.

OBJETIVO
 Fazer-nos entender que em algumas situações precisamos de ajuda profissional.

3. Deus está sempre presente em nossas vidas
Os versículo 11 e 12 do Salmo 139 são, talvez, os mais impactantes, pois demonstram a certeza de que Davi tinha, que, mesmo em estado de profunda depressão, o homem de Deus nunca se sentirá desamparado por Ele. Davi tomou algumas atitudes reprováveis aos olhos do Senhor, contudo, em momentos decisivos de sua vida, escolheu fazer a vontade de Deus.

3.1. Esperar pela ação de Deus
O texto de I Samuel, capítulo 25, mostra-nos que, em alguns momentos, a ira tomava conta do coração de Davi. Em sua vida, nada havia sido fácil; sempre esteve se deparando com situações limites (ISm 25.8 Pergunta-o aos teus jovens, e eles to dirão; estes jovens, pois, achem graça a teus olhos, porque viemos em bom dia; dá, pois, a teus servos e a Davi, teu filho, o que achares à mão.) quando a melhor atitude, parecia sempre partir para o ataque (ISm 25.13 Pelo que disse Davi aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu também Davi a sua; e subiram após Davi uns quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem.). Nesse momento, ele já teria tomado a sua decisão, no entanto ouviu a mulher de Nabal (ISm 25.26-35) e esperou Deus trabalhar em seu favor (ISm 25.37-38). Não importa o quanto estejamos sofrendo por sentimentos obscuros que desconhecemos, o importante é reconhecer que Deus pode nos livrar desses sentimentos se pedirmos a Ele (SI 19.12 Quem pode entender os próprios erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.).

3.2. Como buscar cura
Durante a sua expressão de louvor, Davi declara que a sua alma sabe do que Jeová é capaz (SI 139.14 Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.). Ao longo das lições estudadas, podemos aprender como o sofrimento da alma pode ferir, de maneira profunda, o indivíduo, levando-o a uma condição, em alguns casos, deploráveis, mas ainda assim, se tal indivíduo se apresentar ao Criador com o coração contrito, experimentará o melhor de Deus em sua vida. Existem técnicas de tratamento eficazes para solução das enfermidades da alma, todavia estar com o Senhor e reconhecer o seu poder podem evitar que o homem chegue ao fundo do poço, mergulhando em crises existenciais que ele mesmo desconhece. Entretanto, para algumas pessoas, isso se torna muito difícil, daí a necessidade da ajuda de alguém com conhecimento científico específico em áreas que estudem o comportamento humano para que, com tratamento terapêutico, ajude o indivíduo a identificar as causas de suas crises (Tg 5.16 Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.).

3.3. Deus tem sempre o melhor para nós
O Criador sempre quer o melhor para nós, pois sempre está nos preparando algo especial (SI 139.17 E quão preciosos são para mim, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!). Em nenhum momento, o Senhor quer ver um servo com sentimento de culpa, angustiado, sofrendo com o medo, insegurança, dificuldade de dizer não, falta de reconhecimento de culpa entre outros sintomas que poderão produzir um afastamento do indivíduo de Sua presença e consequentemente a falta de intimidade com Ele. O texto proposto por Paulo, em (2Co 5.17 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.) nos dá a nítida noção de que, ao aceitarmos a Cristo, estaremos livres de tudo que nos fazia mal no passado, está totalmente correto, no entanto, em Rm 12.2, vemos o mesmo Apóstolo nos apresentando a necessidade da renovação de nosso entendimento. O que entendemos a partir daí? O versículo de segunda aos Coríntios nos garante uma mudança total em nossa estrutura espiritual, enquanto o texto da carta aos Romanos nos mostra a necessidade de mudança e cura em nossa estrutura emocional. Só depois de passarmos por essas duas transformações, poderemos gozar plenamente da perfeita vontade de Deus e experimentar totalmente as maravilhas de vivermos debaixo de sua Graça.

Conclusão
Amados, aprendemos que fatos ocorridos, cada vez mais, com maior frequência, nos mostram que muitos, embora busquem uma plena comunhão com o Criador, sofrem com sintomas que surgem, na maioria das vezes, alheios a própria vontade. Busquemos toda força que existe em cada um de nós, contemos com a ajuda dos profissionais da área e principalmente a maior e mais excelente, entre todas as ajudas: A do Espírito Santo, o qual não permite que as enfermidades da alma obscureçam a beleza das bênçãos que Deus tem para seus filhos.

QUESTIONÁRIO

1. O que faltava para Davi para que ele pudesse servir a Deus?
R. Ter a certeza de estar curado de todos os males que o afligiam.
2. Deus nos conhece. Mas o que Ele espera de nós?
R. Que expressemos os nossos sentimentos.
3. Em Ez 18. 20, qual é o ato de justiça de Deus?
R. O filho não levará a maldade do pai nem o pai a maldade do filho.
4. O que Absalão esperava de Davi?
R. Que tomasse alguma atitude em relação a Amnon.
5. O que é preciso para experimentarmos as maravilhas da Graça de Deus?
R. Transformação total no espírito e na alma (I Co 5.17 e Rm 12). convosco.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Editora Betel 2º Trimestre de 2014, ano 24 nº 91 – Jovens e Adultos - “Dominical” Professor – ENFERMIDADES DA ALMA Identificando os distúrbios emocionais e confrontando-os com soluções divinas e bíblicas.